18 de set de 2017

A queda de Artur (J.R.R. Tolkien)


Título: A queda de Artur
Autor: J.R.R. Tolkien
Editora WMF Martins Fontes, 286p.

A expedição do Rei Artur a terras selvagens, a traição de seu sobrinho Mordred e a fuga de Guinevere, Sir Lancelot e o retorno de Artur a Grã-Bretanha. Um poema escrito e não finalizado por Tolkien em duas versões, inglês e português, com observações e notas muito explicativas de Christopher sobre a escrita do pai, as lendas arturianas que fundamentaram a criação do poema. O livro traz também a relação do poema não escrito com a obra cosmológica O Silmarillion e a evolução da escrita do poema em sua forma publicada.

Demorou, mas finalmente resolvi passar este livro para o topo da minha pilha interminável de livros a serem lidos. Publicado em 2013, o livro se divide em duas partes: o texto de Tolkien e as anotações de seu filho Christopher. O texto que intitula o livro, o poema sobre Artur, infelizmente é inacabado. As anotações de Christopher SEMPRE são o atrativo nestas publicações, não somente porque os textos do pai na maioria das vezes são menores ou, como neste caso, inacabado, mas porque Christopher fala em detalhes do que existe por trás da escrita do trabalho de Tolkien. Em A queda de Artur, a parte de Christopher se divide em 4 sub-partes: notas sobre o poema, análise sobre o mito de história do Rei Artur e as obras que vem retratando essa história ao longo do tempo, relação do poema NÃO escrito com O Silmarillion.
Eu confesso que fiquei meio louca quando cheguei na parte do Christopher, tive que voltar e reler o poema enquanto lia sobre análise do mito de Arthur, porque Christopher não somente menciona outras obras que já abordaram a história do rei Arthur como diz no que o poema do pai se assemelha e diferencia delas, indo e voltando durante a narração “cronológica” dos acontecimentos.
O livro traz também a evolução da escrita do poema e a relação do poema com O Silmarillion, a saber, a relação entre a ilha de Avalon do Rei Arthur e Avallónë, a cidade portuária da ilha chamada Tol Eressëa, e Númenor, a ilha que um dia havia sido o maior reino dos homens (dentro da literatura tolkeniana) e que afundou quando seus habitantes se tornaram ambiciosos demais (a semelhança de Atlântida). Christopher mais uma vez teve um cuidado e esmero absurdos em mostrar as semelhanças e diferenças relacionando as obras do pai com outras sobre o rei Arthur quanto relacionando a criação de Tolkien entre si. Completamente recomendado.

8 de set de 2017

Mr. Darcy’s secret (Jane Odiwe)


Título: Mr. Darcy’s secret
Autora: Jane Odiwe
Editora Sourcebooks Landmark, 348p.

Elizabeth e Darcy estão casados e no caminho para Pemberley. Eles recebem homenagens pelo meio do caminho, o que começa a mexer com Lizzie e sua ansiedade em se provar uma boa Mrs. Darcy. Sua amizade com Georgiana se fortalece a cada dia, assim como seu amor pelo marido, até que surge a primeira discordância entre o casal (sobre o futuro marido de Georgiana, pois Darcy, ansioso para ver a irmã segura, quer que ela case com um bom e rico partido, enquanto Elizabeth se recusa a aceitar que o marido queria negar a irmã o tipo de felicidade que conseguiu). Tudo piora quando Darcy acha que o jovem Thomas Butler, que não é nenhum lorde, se interessa por Georgiana e ela por ele. Ansiosa por ter chateado o irmão, a jovem aceita o noivado com o escolhido de Darcy. Elizabeth, mesmo furiosa e inconformada com a atitude de ambos, ainda tem que lidar com os mistérios que cercam um menino, a governanta de sua falecida sogra, e o constante veneno de quem não quer vê-la feliz com Darcy.

Li esse livro em uma tarde e não me arrependi. No início, achei que seria mais uma sequência chatinha sobre o casamento de Lizzie e Darcy, apesar do título, mas como o mistério das cartas é bem colocado desde o início da história, a leitura consegue chamar a atenção. Caroline Bingley também foi um fator que me prendeu porque eu sempre queria vê-la com cara de tacho quando achava que estava prejudicando Elizabeth. Bem construído e divertido, é uma sequência que eu indico.

4 de set de 2017

The Song of Middle-earth (David Harvey)


Título: The song of Middle-earth: J.R.R.Tolkien's themes, symbols and myths
Autor: David Harvey
Editora HarperCollins Publishers, 157p.

Quais são os detalhes do pano de fundo histórico encontrado em O Senhor dos Anéis? Essa é uma das perguntas de David Harvey. Ele também manifesta sua insatisfação com o fato de que, apesar de Tolkien situar a história em um passado místico, a história da trilogia está situada no fim do ciclo (a queda do Um Anel retrata o fim daquele tempo) pouca coisa é encontrada nos apêndices dos livros que possam sanar a curiosidade, considerando que O Silmarillion foi publicado somente anos mais tarde e é o livro que traz mais informações sobre esse as épocas e personagens encontrados na trilogia.

I did not think that Tolkien's work was merely derivative - that he had examined other mythologies and extracted tales, elements and themes and plopped them into his creation. With great respect to the authors who have followed such a course, it is a simplistic one and unflattering to the creator. Nor did I think that mere critical comparisons with the earlier greats of English and European literature were wholly productive. There was something deeper and more meaningful to Middle-earth than that.

Insatisfeito também com a pouca literatura existente que analisem os mitos e lendas de onde Tolkien tirou seus embasamentos para criar seu mundo, David resolveu responder as próprias perguntas e o resultado é um livro que, examina os vários aspectos da mitologia nas obras de Tolkien.

A primeira coisa que o autor fala nesse livro é o sobre o que o levou a escrever, e eu repito que gosto quando, neste tipo de livro, os autores clarifiquem logo o que pretendem. Achei na internet e comecei a ler por mera curiosidade. Poderia ter gostado mais se não fosse a análise que ele faz dos maiores temas mitológicos presentes principalmente n’O Silmarillion, porque eu já vi em trabalhos acadêmicos observações bem mais aprofundadas. De qualquer forma, valeu para matar a curiosidade.

18 de jul de 2017

Bicentenário de falecimento de Jane Austen


Em 18 de julho de 1817, a escritora inglesa Jane Austen falecia em Winchester, Inglaterra, aos 41 anos. Sepultada na Catedral de Winchester, foi somente depois que a biografia escrita por seu irmão James Edward Austen-Leigh havia sido publicada que seu epitáfio menciona que ela foi a autora de alguns dos romances conhecidos na época.

Eu conheci Jane Austen faz alguns poucos anos e desde o primeiro livro que li, me apaixonei pelo seu estilo de escrita e pelos seus personagens. Deixo aqui minha pequena homenagem: a estátua de bronze em tamanho natural de Jane Austen sendo revelada em Market Square, Basingstoke hoje:

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Cortesia da página do facebook Jane Austen 200 

12 de jul de 2017

Lançamentos de Jane Austen

O segundo semestre mal começou e já tem mais livro novo sobre Jane Austen por aí. O primeiro é o Jane & Me: My Austen Heritage, de autoria de Caroline Jane Knight, a última descendente do irmão de Jane, Edward Knight.


O segundo é O clube de escrita de Jane Austen, de Rebecca Smith, publicado pela editora Galera Record.

10 de jul de 2017

Tolkien’s art (Jane Chance)


Título: Tolkien’s art: a mithology for England
Autora: Jane Chance
Editora University Press of Kentuck, 280p.

Publicado pela primeira vez em 1979, quando muitos trabalhos de Tolkien ainda não tinham chegado ao conhecimento do público, este livro de Jane Chance analisa o padrão de conflito nas obras de Tolkien através de um esboço do desenvolvimento de personagens adversários. Através de uma leitura crítica de O Hobbit, O Senhor dos Anéis e O Silmarillion, (assim como obras não tão conhecidas como por exemplo Mestre Gil de Ham), analisando e também comparando-as com Beowulf: The Monsters and the Critics, um dos mais importantes trabalhos acadêmicos de Tolkien, a autora foca na questão da relação entre herói e vilão para demonstrar que, não somente Tolkien se interessava por literatura inglesa medieval, como seus estudos o levaram a criar uma mitologia para a Inglaterra.

A primeira edição desse livro data de 1979. Apesar de não ser a edição que eu tenho (gostaria das duas para poder compará-las), foi bom perceber que Jane, enquanto leitora, já havia notado que Tolkien queria escrever uma mitologia para a Inglaterra e tenha colocado esse assunto em um livro (o que, aliás, foi um posicionamento que o próprio Tolkien admitiu em uma de suas cartas que somente muito mais tarde chegou a conhecimento público, sob o nome “131” no livro As Cartas de J.R.R. Tolkien). Faz muito, mas muito tempo mesmo que eu tenho esse livro. Ficou guardado por vários motivos: a edição é em inglês e eu, apesar de ler e escrever melhor do que falo neste idioma, ainda tenho certa dificuldade; eu tinha outros na lista que queria ler primeiro; quando se trata de Tolkien, se tiver que escolher um livro que analise a obra dele ou algum de sua autoria, sempre vou deixar a a análise para depois. E assim foi ficando e ficando, até agora. Quis aproveitar o final do período letivo e comecei a ler, já que as coisas no trabalho começam a ficar mais calmas. 
Sobre a leitura: levei mais tempo lendo esse livro do que imaginava, não sei por quê. Na introdução, a autora já diz qual é o objetivo principal do livro, o que me atraiu atenção (é bom quando se especifica logo o assunto principal, ao invés de deixar com que o leitor descubra enquanto lê, sempre prefiro livros de análise onde o autor já faz isso). Uma afirmação que me deixou imaginando porque nunca havia reparado nisso antes está logo no início do livro, quando Jane diz que:

It is the social role and religious image of the lord and king through which Tolkien expresses his deepest philosophical and theological ideas. […] A pattern emerges upon an examination of the titles of other Tolkienian works. Either the title centers on the hero […] or, antithetically, on the hero’s chief adversary [...]

Apesar de já ter lido vários trabalhos acadêmicos, artigos e livros, onde os autores dissecam a imagem dos heróis e vilões nos livros de Tolkien, nunca havia notado que essa afirmativa está correta. Usando uma linguagem acessível, a autora divide o estudo em linhas temáticas e textuais, e em cada capítulo ela, utilizando as principais obras de Tolkien para mostrar como ele queria mesmo criar uma mitologia para a Inglaterra. Não somente isso, como ele teve sucesso. Livro muito recomendado.

21 de jun de 2017

Lançamento: Grandes Obras de Jane Austen

A editora Nova Fronteira vai lançar, agora no mês de junho, uma nova caixa com três livros de Jane Austen: Orgulho e Preconceito, Razão e Sentimento e Emma, todos traduzidos por Lúcio Cardoso (o primeiro) e Ivo Barroso (os dois seguintes).


Como na outra caixa que a editora lançou (lembram da caixa com Razão e Sentimento e Novelas inacabadas?), as edições são capa dura e a diagramação é um verdadeiro primor.




A caixa já está a venda na Saraiva e na Amazon, com lançamento previsto para 26 de junho.

19 de jun de 2017

Explorando o universo do Hobbit (Corey Olsen)


Título: Explorando o universo do Hobbit
Autor: Corey Olsen
Editora Lafonte, 256p.

Sinopse: Segredos e curiosidades de um dos livros mais lidos do século XX. Explorando o Universo do Hobbit é um livro divertido e visionário, que apresenta uma interpretação detalhada de O Hobbit, um dos maiores clássicos da literatura fantástica. Por meio de uma jornada capítulo a capítulo através do clássico de Tolkien, Corey Olsen realiza uma análise profunda, revelando detalhes que muitas vezes não são percebidos pelos leitores e expectadores, que tornam a leitura do original mais rica, curiosa e ainda mais relevante. Enfim, este não é um simples guia de leitura, mas uma obra para a compreensão dos principais aspectos de O Hobbit, a filosofia na construção de cada etapa da história, capaz de transformar a leitura comum em uma experiência única.

Corey Olsen é um professor de literatura muito conceituado, que explora as obras de Tolkien em seus estudos e ensinamentos. Dito isso, você percebe logo de cara que um livro dele falando d’O Hobbit tem muito a dizer. Através das suas análises que destrincham os significados dos elementos e personagens que compõe a história, o leitor também consegue entender mais o próprio Tolkien. As análises são muito boas e bastante profundas, vale cada minuto da leitura.

22 de mai de 2017

Obras inacabadas (Jane Austen)


Título: Obras inacabadas
Autora: Jane Austen
Editora Landmark, 208p.

Sinopse: Escrito por volta de 1804, deixado inacabado, terminado por sua sobrinha Catherine Hubback e publicado na metade do século XIX, com o título The Younger Sister, provavelmente abandonado após a morte dos pais da escritora, “OS WATSONS” é uma tentadora e altamente deliciosa história cuja vitalidade e otimismo centra-se sobre as perspectivas conjugais das irmãs Watson em uma pequena cidade provincial. “SANDITON”, iniciado sob o título The Brothers, em 1817, deixado incompleto e publicado em 1925, foi o último romance escrito por Jane Austen, situado em uma cidade à beira-mar e seus temas dizem respeito à nova sociedade de consumo especulativo e prenunciam as grandes convulsões sociais provenientes da Revolução Industrial.
“PROJETO DE UM ROMANCE” é um trabalho curto, de cunho satírico, escrito provavelmente em maio de 1816. Foi publicado em forma completa pela primeira vez por R. W. Chapman em 1926, tendo aparecido alguns extratos, em 1871, na biografia de Jane Austen escrita por seu sobrinho, James Edward Austen-Leigh. Considera-se que nesta obra, temos o relato mais importante do que Jane Austen entendia como sendo seus objetivos e sua visão pessoal como romancista.
Nos Capítulos Originais de “PERSUASÃO” podemos aprender mais sobre o consumado talento artístico de Jane Austen e seus maravilhosos poderes de autocrítica; e que prova – de forma incontestável – o padrão de perfeição no qual ela insistia em todos os aspectos. Pois esse é de fato uma parte do rascunho final, acabado: o romance completo que, quando ela o escreveu, deixara-a satisfeita e tinha sido planejado para publicação. Mesmo assim, continuou a ser objeto de cuidadosa meditação, e as reflexões de uma noite a convenceram de que ainda poderia ser melhorado adiante.

Me jogaram um balde de água fria na cabeça. Foi exatamente essa a sensação que tive quando terminei de ler cada uma das histórias desse livro. Depois de ler e reler os seis romances de Jane Austen, é sempre um prazer quando se tem em mãos obras como esse livro, porque dá gosto de ler novas histórias com aquele toque irônico que só Jane Austen consegue trabalhar tão bem. O problema foi que a cada final, eu tinha que me lembrar que Sandition e The Watsons são histórias i-na-ca-ba-das, e isso meio que levou a loucura hahahahaha O toque final no livro são os capítulos extras de Persuasão, que (eu achei) não fizeram muita falta a história (o que conta em Persuasão, para mim, é a carta, A carta, então, eu encarei esses capítulos como simples partes adicionais). Vale muito a pena.

19 de mai de 2017

A sabedoria do Condado (Noble Smith)


Título: A sabedoria do Condado
Autor: Noble Smith
Editora Novo Conceito, 174p.

Sinope: Um guia do Hobbit para a vida de milhões de fãs do J.R.R. Tolkien. Smith mostra que uma toca-hobbit é, na verdade, um estado de espírito e como até as menores pessoas podem ter o valor de um Cavaleiro de Rohan. Ele explora assuntos importantes para os hobbits, como cerveja, comida e amizade, mas também assuntos mais sérios, como coragem, vida em harmonia com a natureza e bem versus mal. Como prazeres simples como jardinagem, longas caminhadas e refeições deliciosas com amigos podem fazer você significativamente mais feliz? Por que o ato de dar presentes no seu aniversário em vez de recebê-los é uma ideia tão revolucionária? E como podemos carregar nosso próprio “anel mágico” sem sermos devorados por ele? "A Sabedoria do Condado" tem a resposta para essas perguntas.

Gosto de acreditar que Tolkien tenha sido o primeiro historiador da realidade alternativa.

É assim que Noble Smith começa seu livro. Foi uma leitura fácil e rápida, até porque eu queria muito ler esse livro faz tempo. Fui deixando de lado porque minha lista de leitura estava muito grande, e também eu achava que seria mais um desses livros em que o autor pega as obras de Tolkien e sai analisando cada parte deles de acordo com temas filosóficos. Na verdade, o livro é uma análise, mas Noble colocou algumas de suas próprias experiências para ilustrar seu ponto de vista, e isso fez o livro valer a pena. Sua maneira de escrever é clara, a linguagem não é complicada, o que deixou a leitura ser divertida. Lançado na época do filme d’O Hobbit, esse pequeno livro-guia de como-a-sua-vida-pode-ser-boa-se-você-tiver-bons-ideais é muito recomendado.